DEU NA REVISTA VEJA

terça-feira, 21 de junho de 2011


A revista Veja desta semana, edição nº 2.222, publicou uma excelente reportagem, intitulada “As mães reféns do crack”, escrita pelo jornalista Ricardo Westin. Transcrevo, abaixo, depoimentos de mães que tiveram suas vidas devastadas pela droga.

NEM SE TORNAR PAI TIROU MEU FILHO DA DROGA – “Meu filho tinha 14 anos quando começou a usar crack. O poder da droga de viciar é imediato. Ele chegou a ficar mais de um ano internado. Mas entrava em casa e já ia direto para o morro comprar crack. Ele pegava roupa, televisão e, quando não tinha mais nada, até alimentos, talher, prato... Um dia conheceu uma menina e teve um filho com ela. Não resolveu. Há três anos, não moro mais com meu filho. Eu mudei, e ele acabou com a casa toda. Tirou até os fios que passavam dentro da parede e vendeu para comprar crack. Ainda encontro com ele quase diariamente. Não tenho coragem de deixá-lo passar fome. Eu dou comida, dinheiro – que ele teve de usar para comprar drogas. Ainda acredito na recuperação dele. Enquanto existe vida, existe esperança”. (E., produtora de eventos, 52 anos, Belo Horizonte)

É DIFÍCIL DIZER NÃO – “Carla, minha filha, começou a usar cocaína aos 14 anos. Esteve sete vezes internada em clínicas. Nas fases em que ficou sóbria, tentou cursar psicologia, casou-se duas vezes e teve três filhos. Com o segundo marido, conheceu o crack. A droga a levou junto para o fundo do poço. As pessoas diziam que eu deveria dar um basta, afastar-me dela, parar de dar dinheiro. Não conseguia porque pensava: ela vai procurar outros meios para alimentar o vício, pode ser aliciada pelo tráfico... Está na oitava internação. Torço para que seja a última. Meus netos precisam dela”. (Helena Müller Maestrelli, 85 anos, aposentada, Londrina)

ACORRENTADO À CAMA – “Em pleno Dia das Mães, no ano passado, recebi a pior notícia da minha vida. Meu filho, Nevyson, havia sido assassinado a tiros. Ele tinha 20 anos e usava crack fazia um ano. Roubava dentro e fora de casa para manter o vício. Certa vez, por causa do crack, passou quatro dias sem comer nem dormir. Cheguei a acorrentá-lo ao pé da cama para impedir que ele se drogasse. O problema é que, onde eu moro, ladrãozinho ‘noiado’ não tem vez. Um grupo de extermínio o matou. No dia em que não consegui mantê-lo acorrentado, disse que lavava minhas mãos. Foi a última vez que o vi”. (Tânia Maria da Silva, 47 anos, faxineira, Recife)

TIRO NO PRÓPRIO FILHO – “Tobias, meu filho, era um rapaz muito bonito. Chegou a trabalhar como modelo fotográfico. Aos 21 anos, caiu no crack. Voltava para casa só quando precisava de dinheiro para a droga. Roubava casacos, sapatos, objetos de decoração. Trocava tudo por pedra. Eu mesma ia até o traficante para pegar tudo de volta. Ele ficou violento, passou a me agredir. Dois anos atrás, com medo, peguei um revólver do meu marido e disparei. Tobias morreu ali. Fui presa. Acabei sendo inocentada por ter agido em legítima defesa. Perdi meu único filho. Vivo uma dor que não tem fim”. (Flávia Costa Hahn, 62 anos, aposentada, Porto Alegre)

QUINZE INTERNAÇÕES – “Descobri que meu filho usava droga quando a polícia telefonou dizendo que ele estava preso. Naquele momento, minha vida virou um pesadelo. Ele trocou quase tudo o que eu tinha por pedras de crack – TV, joias, rádio, filmadora e até o estepe do carro. Eu tinha de dormir com a carteira, celular e chaves embaixo do travesseiro. Ele foi preso quatro vezes por assalto. Morou na rua durante quarenta dias. Quando voltou, parecia um indigente: sujo, descalço, com bolhas nos pés... Ele dizia que queria parar, mas que o crack era mais forte do que ele. Meu filho só se recuperou depois da 15ª internação em clínicas”. (B., 59 anos, corretora de imóveis, São Paulo)

UNIDOS CONTRA O VÍCIO – “Tenho cinco filhos. Os mais velhos, Luciano e Cristiano, envolveram-se com o crack. Ter dois filhos nessa situação faz a gente pensar se fez algo de errado. Eles conseguiram se livrar das drogas e hoje têm uma clínica de reabilitação. Juntos, nós montamos um grupo de apoio para atender às famílias dos viciados. Nas reuniões semanais, trocamos experiências e dividimos nossas angústias. Já ouvi história de gente que vendeu o carro da família por 100 reais para comprar pedra”. (Neiva Evanise Gonzales Vargas, 55 anos, lojista, Pelotas)

DOIS DRAMAS NA MESMA CASA – “Eu pensava que crack era coisa só da periferia. Até que aconteceu na minha casa. Meu mundo desabou quando descobri que Katia, minha filha mais velha, fumava crack. Eu não entendia por quê. Ela havia estudado em colégio particular, fazia faculdade, tinha carro... Miguel, meu marido, chegou a tirá-la de dentro da casa do traficante para interná-la. Aquilo me consumia tanto que não percebi que Vinicius, meu filho mais novo, também estava no crack. Um dia ele me procurou chorando, depois de passar dois dias na rua, para dizer que não aguentava mais e queria ser internado. Hoje os dois estão limpos”. (Regina Tortorelli, 61 anos, aposentada, São Paulo)

2 comentários:

Anônimo disse...

gostaria de saber onde acontece essas reuniões q a Neiva citou,aqui em Pelotas Rs! Alguém poderia me ajudar?! Obg att:Jéssica.

ALCIMAR DA SILVA ARAÚJO disse...

Obrigado pelo comentário, Jéssica. Acho que você consegue essa informação junto à revista Veja.

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