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terça-feira, 1 de maio de 2012


O Blog de Alcimar quis saber: o rompimento entre João Maia e Antônio Macaco será benéfico a Jardim? Veja os resultados:

RESPOSTA
VOTOS
PERCENTUAL
Sim
25
26,0%
Não
5
5,2%
Tanto faz
66
68,8%
TOTAIS
96
100%

Comento.

Pelo que se lê nos blogs jardinenses, é fato o rompimento político entre o deputado federal João Maia e o prefeito municipal Antônio Macaco. Chegou ao fim a denominada “união das famílias jardinenses”, cujos benefícios para o município foram, no mínimo, discutíveis.

Quem acompanha a política local de perto sabe que o acordão entre Maias e Macacos não foi o primeiro de nossa história. Quarenta anos atrás, em 1972, todas as lideranças jardinenses uniram-se em torno de um único candidato, Zacarias José de Medeiros, que governou Jardim de 1973 a 1976. Esse acordo também foi alvo de críticas e se mostrou, segundo os analistas da época, bastante prejudicial ao município, o que acabou facilitando a vitória de José Henrique na eleição seguinte.

Segundo o principal representante da família Maia, a união desta com o clã Macaco visou a pacificar o eleitorado jardinense, bastante divido após a acirradíssima campanha de 2000. Nesse ponto, o acordo cumpriu fielmente seu papel. A partir do momento em que os dois lados tornaram-se um só, arrefeceu consideravelmente o ânimo belicista de alguns partidários de ambos, que, mesmo a contragosto, viram-se obrigados a conviver com antigos desafetos. O pleito de 2008 é a prova mais cabal dessa nova ordem: nunca se vira uma disputa tão tranquila e desprovida de emoção.

Os críticos aos Maiacacos, como acabou apelidado o grupo político surgido do acordão, consideram que se pagou um preço alto demais por essa paz forçada. Isso porque, na opinião daqueles, a união nunca fora aceita pela grande maioria dos partidários de um e de outro. Até mesmo entre os líderes, os sorrisos e os cumprimentos sempre pareceram atos encenados. Constantemente se viam seguidores dos Maias reclamando da falta de prestígio da família, que não emplacara nenhum secretário no atual governo.

A meu ver, o acordão entre Maias e Macacos conseguiu, com êxito, apaziguar a parcela do eleitorado que, estupidamente, encara uma eleição como questão de vida ou morte. Nesse quesito, ponto para os Maiacacos. Entretanto, acho que a falta de uma oposição, somada à diminuição de repasse de recursos federais, contribuiu para a queda de qualidade na gestão local. A inexistência de um adversário à altura, capaz de impor uma derrota eleitoral ao sistema dominante, fez com que este se achasse infalível e onipotente. Pior para população, que, nos últimos seis anos, não contou com uma única voz a defendê-la no Legislativo ou nos meios de comunicação.

Não me acusem, após uma leitura rápida e desatenta, de estar eu defendendo a volta do radicalismo. Não sejam injustos comigo. Mesmo quando militei no Partido dos Trabalhadores, cujos integrantes eram tachados de radicais ou extremistas, sempre defendi a Democracia e o pluralismo de ideias. Se não fui intransigente na juventude, nenhum motivo há para sê-lo agora. Tenho todo o direito de me opor a acordos que se mostram benéficos apenas a um reduzido grupo de pessoas. Não considero imprescindível que todos estejam no mesmo barco. É plenamente possível dividir espaços com quem pensa diferentemente de nós. Só para exemplificar, nos Estados Unidos, republicanos e democratas, há décadas, disputam eleições costumeiramente decididas por pequena margem de votos. Os americanos já se acostumaram com a alternância dos dois partidos no poder, coisa que, inclusive, consideram bastante saudável.

Somos assim tão diferentes dos americanos? Claro que não. Reunimos totais condições de participar de uma eleição cujo objetivo principal não seja o de aniquilar o opositor. Não é necessário unir adversários políticos para que se tenha um pleito tranquilo. O único acordo que realmente deve ser formalizado é o do eleitorado com a sensatez e o bom-senso. Quando esse acordão vier a ocorrer, Jardim de Piranhas, finalmente, transformar-se-á no lugar com que todos sonhamos.

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