FUTEBOL SE APRENDE NA ESCOLA?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sábado passado, resolvi sair de casa, a fim de levar minha filha à chamada “Praça de Alimentação”, onde, nas proximidades, Dido de Escolha instalara seu pula-pula. Enquanto Ana Cecília gastava suas energias no brinquedo, fiquei assistindo, no barraco de Izael, à partida entre o Flamengo e o Atlético Mineiro. Como sempre acontece, o local estava lotado de torcedores do rubro-negro carioca, os quais, após o Atlético abrir o placar, no início do segundo tempo, perderam de vez a paciência com o time e com o principal jogador deste, Ronaldinho Gaúcho. Contratado a peso de ouro, ganhando cerca de um milhão de reais por mês, ele ainda não havia apresentado, neste ano, 10% da habilidade que o levara a ser eleito o melhor jogador de futebol do mundo.

Até aqui você, caro leitor, deve estar se perguntando o que esses fatos têm de relevantes, para merecer uma postagem neste modesto blog. Concordo com você. O jogo estava igual a inúmeras “peladas” a que eu já assistira desde janeiro. Porém, aos 21 minutos da etapa final, revi uma cena que, de uns tempos para cá, tem me revoltado: Ronaldinho recebe uma bola dentro da grande área adversária e, com um chute certeiro, marca um belo gol; porém, ao comemorar o “grande feito”, coloca o dedo indicador nos lábios, exigindo silêncio da torcida, que o vinha vaiando há alguns jogos.

Costumo dizer que se contam nos dedos da mão direita os jogadores de futebol brasileiros merecedores da fama e do dinheiro que ganham. Ronaldinho Gaúcho não faz parte dessa lista. Para quem é tão bem remunerado, já ocupou o posto de melhor do mundo, considero uma obrigação jogar bem e ajudar o clube que lhe paga a conquistar bons resultados. Seu gesto à torcida flamenguista foi de um desrespeito sem tamanho. A maior torcida do Brasil, formada, em sua maioria, por habitantes das regiões menos desenvolvidas do país, não merece o escárnio de quem deve se achar acima do bem e do mal.

A grande maioria dos atletas que conquistaram fama e riqueza jogando futebol comporta-se ora como verdadeiros deuses, ora como crianças mimadas. Embora chamados de “profissionais”, agem, dentro e fora de campo, como se amadores fossem. Vivem em boates, bebem e fumam, brigam com colegas de profissão, simulam faltas e contusões, dão declarações estapafúrdias ou infantis e esnobam jornalistas esportivos. Um deles, recentemente, vangloriou-se de gastar com o cachorro de estimação mais do que um torcedor recebia de salário. Esse idiota, certamente, acredita que o fato de haver nascido com o dom de jogar futebol o faz um ser especial. Oportunos, nesse sentido, os versos de Gabriel, o Pensador na música “Brazuca”: Futebol não se aprende na escola, é por isso que Brazuca é bom de bola”.

Voltando ao insulto dirigido por Ronaldinho à torcida do Flamengo, solidarizo-me com os torcedores menos cegos pela paixão. Principalmente com os que viram aquela camisa 10 vestida por Zico. Os muito apaixonados, estes logo esquecerão o tapa sofrido, inebriados com as vitórias futuras e as grandes exibições do “genial” gaúcho. Embora não torça pelo rubro-negro carioca, reconheço o quanto é importante, para a grande massa de brasileiros, ver o seu time de coração sair de campo vitorioso. Moraes Moreira, na música “Saudades do Galinho”, resumiu, com brilhantismo, o sentimento que perpassa a alma do flamenguista: E agora como é que eu fico, nas tardes de domingo, sem Zico no Maracanã? Agora como é que eu me vingo de toda derrota da vida, se a cada gol do Flamengo eu me sentia um vencedor.

Sábado passado, vi esses versos de Moraes Moreira transformarem-se em cenas reais. Aqueles rostos tristes, cabisbaixos, alguns até marcados pela revolta, deram lugar, a cada gol marcado pelo Flamengo, a expressões de enorme contentamento. Terminada a partida, a felicidade ali reinante contagiava até quem odiava futebol. Pelo menos naquela noite, todos dormiriam satisfeitos com a vida. Afinal, o Mengão jogara bem, goleara e, por um breve instante, faziam sentido os versos de Milton Nascimento e Fernando Brant, presentes na música “Aqui É o País do Futebol”:

No fundo desse país
ao longo das avenidas
nos campos de terra e grama
Brasil só é futebol
nesses noventa minutos
de emoção e alegria
esqueço a casa e o trabalho
a vida fica lá fora
dinheiro fica lá fora
a cama fica lá fora
família fica lá fora
a vida fica lá fora
e tudo fica lá fora

JARDIM FOI NOTÍCIA EM 2000

O jornal Diário de Natal, edição de 2 de dezembro de 2000, publicou a seguinte matéria:

TRE SUSPENDE DIPLOMAÇÃO DOS ELEITOS A ESPERA DE APURAÇÃO

Uma decisão no Tribunal Regional Eleitoral suspendeu a diplomação do prefeito, vice-prefeito e vereadores eleitos em Jardim de Piranhas, que estava marcada para ontem à tarde. O juiz Paulo Frassinetti de Oliveira concedeu uma liminar em um mandado de segurança impetrado pela coligação “Jardim em Paz”, do candidato a prefeito derrotado, Antônio Soares (Antônio Macaco), que alegou ainda não terem sido julgados os recursos que pedem apuração de possíveis fraudes eleitorais no pleito passado.

Após as eleições em Jardim de Piranhas o bloco que saiu perdedor com uma diferença de quatro votos ajuizou reclamações na 59ª zona eleitoral alegando que alguns presidentes de mesas teriam travado as urnas eletrônicas para que determinados eleitores não votassem para prefeito. Argumentaram ainda que o número de faltosos das folhas de votação não coincidiam com os boletins, caracterizando que eleitores compareceram e não votaram.

Também foi denunciado que um mesário colocou as impressões digitais no local destinado a eleitores. Com a suspeita de fraude o juiz Henrique Baltazar confirmou que deveria pedir a perícia das urnas e se fosse constatada a irregularidade poderia ser solicitada ao TRE a convocação de novas eleições.

Os advogados de Antônio Macaco recorreram ao TRE impedindo a diplomação por entenderem que ela não poderia acontecer enquanto as reclamações não fossem julgadas, o que foi acatado por Paulo Frassinetti, relator do processo. O TRE suspendeu as férias do juiz Henrique Baltazar marcadas agora para o mês de dezembro para que ele possa dar continuidade ao processo.

Conforme o calendário eleitoral a diplomação dos eleitos em outubro deve ocorrer até o próximo dia 19. Se até o dia 19 não forem julgados os recursos para que o prefeito eleito Galbê Maia, o vice-prefeito Nivaldo Borges e os vereadores eleitos sejam diplomados, eles não poderão ser empossados no dia 1º de janeiro.

“O que a gente tem que pensar é que daqui pra lá tem que ter uma solução porque se ninguém for diplomado, ninguém pode assumir. Se não tiver um prefeito provavelmente deverá ser nomeado um interventor no município no começo do ano, que ficará no exercício do cargo enquanto não for decidida essa situação, ou então o prefeito eleito terá que conseguir uma liminar permitindo que ele assumisse o cargo de forma provisória”, afirma Henrique Baltazar.

Nesse período de disputa jurídica qualquer decisão vem sendo comemorada em Jardim de Piranhas, com carreatas e fogos. Ontem estava tudo pronto para a festa da diplomação de Galbê Maia. Com a decisão do juiz Paulo Frassinetti os partidários de Antônio Macaco saíram às ruas. Temendo que os ânimos ficassem mais acirrados do que já se encontravam, o delegado da cidade solicitou reforço policial ao 6º batalhão sediado em Caicó.

PREFEITOS DE JARDIM DE PIRANHAS

GALBÊ MAIA
(DE 1º/01/2001 A 31/12/2004)



ANTÔNIO SOARES DE ARAÚJO
(DE 1º/01/2005 AOS DIAS ATUAIS)

NOTÍCIAS DO JUDICIÁRIO



FORMAÇÃO DOS CONTRATOS ELETRÔNICOS

A formação dos contratos, mesmo entre ausentes, presume a existência de duas pessoas naturais que analisarão as declarações de vontades das partes, o que, nem sempre ocorre no âmbito da formação dos contratos eletrônicos, no qual máquinas programadas podem realizar as declarações de vontade. Investigaremos, assim, como se dá o consentimento nos contratos eletrônicos comparativamente na Convenção das Nações Unidas sobre os Contratos de Compra e Venda Internacional de Mercadorias [01] [02], no Código Civil brasileiro (CC Br), no Código Civil português (CC Pt).

O surgimento [03] da Internet [04]desencadeou uma revolução global nos meios de comunicação e na informação. Tendo surgido inicialmente com fins militares, passou a funcionar com fins científicos e, inevitavelmente, atingiu a seara comercial, alcançando uma magnitude de situações e de contratos, inclusive os contratos internacionais do comércio [05].

Dentre os inúmeros problemas que surgem na seara da formação dos contratos eletrônicos, dois adquirem especial relevância no âmbito da compra e venda internacional: os contratos eletrônicos formados com intervenção humana não programada e os contratos eletrônicos formados com intervenção humana programada, que são planejados para emitir comandos perante certas situações.

CRÍTICA DE ARIANO SUASSUNA SOBRE O FORRÓ ATUAL

ARIANO SUASSUNA


'Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!'. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, e todas bandas do gênero). As outras são 'gaia', 'cabaré', e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.

Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá: Calcinha no chão (Caviar com Rapadura), Zé Priquito (Duquinha), Fiel à putaria (Felipão Forró Moral), Chefe do puteiro (Aviões do forró), Mulher roleira (Saia Rodada), Mulher roleira a resposta (Forró Real), Chico Rola (Bonde do Forró), Banho de língua (Solteirões do Forró), Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal), Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada), Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca), Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró), Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.

Porém o culpado desta 'desculhambação' não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk
vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de 'forró', parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina 'forró estilizado' continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois
rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é 'É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!', alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

Ariano Suassuna

Observação: O secretário de cultura Ariano Suassuna foi bastante criticado, numa aula-espetáculo, no ano passado, por ter malhado uma música da Banda Calipso, que ele achava (deve continuar achando, claro) de mau gosto. Vai daí que mostraram a ele algumas letras das bandas de 'forró', e Ariano exclamou: 'Eita que é pior do que eu pensava'. Do que ele, e muito mais gente jamais imaginou.

Realmente, alguma coisa está muito errada com este nosso país, quando se levanta a mão pra se vangloriar que é rapariga, cachaceiro, que gosta de puteiro, ou quando uma mulher canta 'sou sua cachorrinha', aonde vamos parar? Como podemos querer pessoas sérias, competentes? E não pensem que uma coisa não tem a ver com a outra não, pq tem e muito! E como as mulheres querem respeito como havia antigamente? Se hoje elas pedem 'ferro', 'quero logo 3', 'lapada na rachada'? Os homens vão e atendem. Vamos passar essa mensagem adiante, as pessoas não podem continuar gritando e vibrando por serem putas e raparigueiros não. Reflitam bem sobre isso, eu sei que gosto é gosto... Mas, pensem direitinho se querem continuar gostando desse tipo de 'forró' ou qualquer outro tipo de ruído , ou se querem ser alguém de respeito na vida!

NOTA DO BLOG: o texto acima, na íntegra, foi copiado de um e-mail a mim enviado. Alerto a você, caro leitor, que não fui eu quem o escrevi, mas tenho inveja de quem o fez.

NOTÍCIAS DO JUDICIÁRIO

domingo, 26 de junho de 2011


UM DEFENSOR PARA CADA 8 MIL PROCESSOS NO RIO GRANDE DO NORTE

“O Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos". Assim reza o quinto artigo da Constituição Federal do Brasil no seu 74º inciso. A realidade, porém, difere bastante do que está escrito na carta magna dos brasileiros. Cada defensor público do Rio Grande do Norte, por exemplo, é responsável por aproximadamente 8 mil processos.

A Defensoria Pública do Estado, criada em 2003 mas em funcionamento desde 2008, conta hoje com 40 defensores em seus quadros, responsáveis por mais de 800 atendimentos mensais de pessoas que não têm condições de pagar advogados particulares, sendo o Estado responsável pela assistência.

Todos os atendimentos realizados pelo órgão são concentrados no prédio da Defensoria, localizado na avenida Duque de Caxias, no bairro da Ribeira. Segundo Cláudia Carvalho, defensora geral do estado, os atendimentos são inúmeros. "Em média, atendemos por mês, no mínimo, 800 pessoas, chegando a picos de 1.100. As audiências comandadas por defensores chegam a quase 4 mil por mês", relata Cláudia. Dos atendimentos, nem todos os casos são encaminhados para os defensores, por falta de condições dos profissionais atuarem em tantos casos.

Atualmente, segundo a defensora geral, os defensores estão presentes em apenas 12% das comarcas de justiça instaladas em solo potiguar. Bastante longe do que seria ideal. "Deveriamos ter, no mínimo, um defensor público por comarca. Ou seja, 65 defensores em todo o Estado", explica Cláudia Carvalho.

QUANDO OS JOVENS QUERIAM MUDAR O MUNDO...



O canal Viva, da Sky, reprisou neste mês a minissérie “Anos Rebeldes”, que narra a conturbada história de amor vivida por João Alfredo (Cássio Gabus Mendes) e Maria Lúcia (Malu Mader), tendo como pano de fundo os anos de chumbo da Ditadura Militar.

Levada ao ar pela primeira vez entre os meses de julho e agosto de 1992, a minissérie, na época, contagiou os estudantes de todo o país, estimulando-os a saírem às ruas, de caras pintadas, em enormes passeatas, pedindo o impeachment de Fernando Collor. Foi um momento mágico da História recente do Brasil, em que, por um breve momento, os jovens demonstraram interesse pela Política e, de Norte a Sul do país, deixaram o comodismo de lado e foram às ruas entoarem palavras de ordem, exigindo ética e probidade de nossos governantes e parlamentares.

Este modesto escriba, na época, estava prestes a concluir o curso de Letras. Em meu discurso de formatura, escrito quando Collor já fora substituído por Itamar Franco, registrei minha desconfiança quanto aos verdadeiros ideais dos caras-pintadas. Leia o trecho:

“Os nossos governantes não são os únicos culpados. Todos nós, aqui presentes, somos um pouco responsáveis. Principalmente a juventude, pois se supõe que ela ainda acalente o sonho de mudar a realidade. Eu, particularmente, não creio em tal hipótese. Na verdade, a minha geração é desprovida de ideais nobres. O idealismo de outrora cedeu lugar ao individualismo de hoje. Ídolos do quilate de Ernesto "Che" Guevara e Martin Luther King foram substituídos por Xuxa e Ayrton Senna. Até mesmo quando a mídia tentou ressuscitar em nós o antigo gosto pelas passeatas, mostramos, em cadeia nacional, o quanto somos superficiais. Na coreografia do impeachment, os "caras-pintadas" não conseguiram disfarçar a alienação evidente. Seus rostos mostraram que, sob a tinta, escondiam-se muita diversão e pouca conscientização”.

“Está na hora de deixarmos a covardia de lado. A geração dos anos 90 precisa reviver os ideais revolucionários do passado, caso queira viver num país decente. A geração de 68 nos dá o exemplo: nunca o Brasil e o mundo sofreram tantas transformações como naqueles anos. Graças a um estado de espírito, uma rebeldia contagiante, que, infelizmente, não teve um final feliz. A brutalidade verde-oliva ceifou o farto plantio de idéias que vicejavam na cabeça dos jovens. Ainda assim, eles ousaram acreditar, no dizer da época, que "a morte de duas ou três rosas não conseguiria deter a primavera". Sangrento engano, pois, em vez da primavera, veio o outono da repressão, da tortura, do exílio. O grito pela liberdade, pela democracia, foi sufocado; ficou entalado na garganta, esperando o momento ideal para novamente ecoar pelas ruas e avenidas do país”.



Pois bem. Os anos se passaram. Deixei de admirar “Che” Guevara e me desencantei com o Partido dos Trabalhadores. Os jovens brasileiros, conforme previra, continuaram, em sua maioria, preocupados apenas com os próprios problemas.

Atualmente, vejo, com preocupação, alguns movimentos pedindo a saída de este ou aquela governante. Virou moda, hoje em dia, pedir FORA! Aqui mesmo, em Jardim, isso já ocorreu duas vezes, por meio de pichações em prédios públicos. Entretanto, encaro esses movimentos apenas como uma forma de fazer barulho, sem muito resultado prático.

Acredito que deva ser respeitada a vontade do eleitor. Um governante só deve ser expulso do cargo para o qual fora democraticamente eleito somente quando se comprovar haver ele sido ímpobro, desonesto, corrupto.

Os jovens, e somente eles, ainda podem mudar o mundo. Porém, devem fazê-lo respeitando as instituições e o estado democrático de direito. Os sindicatos, as associações, os partidos políticos, as ONGs, os grêmios estudantis e os diretórios acadêmicos estão aí, abertos a todos que desejem lutar por uma sociedade igualitária. E não é preciso assistir a nenhuma peça de ficção para finalmente se convencerem de que, sem a participação deles, nada será mudado – para melhor!

LITERATURA E POESIA



Os jardinenses mais jovens não conheceram Nonato, irmão de Fátima de Zezinho de Trajano. Ele aqui morou nos anos de 1970. Ficou conhecido como “Cearense”, um habilidoso atacante do Fluminense (o CAP da época). É de sua autoria o belo poema abaixo, que extraí do livro “Um Lugar ao Sol”, publicado em Icó (CE), em 2007, pela Gráfica Icoense.

SAUDADE DE TI

Desolada, sentada riscando o chão
Entristecida, acabrunhada e sentida
Por tua súbita e inesperada partida
Ferindo assim seu pequeno coração

Riscava várias vezes o teu nome no chão
A garganta secava e o coração apertava
No chão uma gota de lágrima derramava
Vivendo os últimos momentos de paixão

Como nuvem se formando e passando
Deixando somente o clarão do dia
Que refletia a angústia e a claridade

Num rostinho de olhos lacrimejando
Que no chão do quintal alguma gota caia
Ficando somente solidão e a saudade

Doravante, brindarei você, caro leitor, com outros belos poemas de Nonato. 

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SEM COMPROMISSO


Oba! Amanhã é feriado. Nada de aula. Nada de trabalho. Nada de dar e receber ordens. A folga dá descanso ao relógio. Sem os ponteiros implacáveis, podemos acordar mais tarde, ficar na cama até vir vontade de levantar, misturar o café da manhã com histórias, gargalhadas e animação. Há espaço pra reunir os amigos e bater uma peladinha. Em suma: curtir é a ordem.

A palavra feriado vem de longe. Nasceu talvez no século 13. O paizão da folgada se chama feira (em latim, mercado). Em sentido litúrgico, a dissílaba queria dizer dia de festa, dia de repouso. A população aproveitava a liberdade. Reunia-se nas praças pra paquerar, bater papo, dar uma caminhadinha. Os comerciantes descobriram ali um filão. Ofereciam mercadorias pra faturar um dinheirinho. Resultado: feira deixou a acepção folgada pra lá. Tornou-se sinônimo de trabalho. Daí o nome de cinco dias da semana: segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira.


É o segundão

Por que segunda-feira é segunda, não primeira? A razão é tão lógica quanto dois e dois são quatro. O primeiro dia da semana é domingo — o Dia do Senhor. E sábado? A trissílaba nasceu hebraica. Sabbat é o dia do repouso para os judeus. Dela vieram sabático e sabatina.


Corpus Christi

Os católicos celebram Corpus Christi. Em português: o corpo de Cristo. O feriado tem uma marca registrada. Cai sempre na quinta-feira. Qual? A que vem logo depois do domingo da Santíssima Trindade. Nesse dia, os católicos têm uma obrigação. É rezar. Se possível, acompanhar a procissão.


Rezar pra quê?

Muçulmanos, judeus, budistas, católicos, protestantes, evangélicos, todos rezam. "Pra quê?", perguntam os filhos cheios de programas e sem disposição pra perder minutos preciosos em preces & cia. A questão bateu à porta de velho monge que convidava os discípulos a subir com ele até o alto de uma montanha pra rezarem juntos. Fazia isso todos os dias. Perto dali, logo abaixo, havia um rio com águas puras e cristalinas. Certa vez, um dos rapazes indagou:

– Mestre, por que oramos todos os dias se não conseguimos gravar as palavras na mente? Pouco me lembro do que oramos ontem e já nem sei o que falamos há dez dias.

O monge, com calma e serenidade, pegou um cesto de bambu e o deu ao discípulo dizendo:

— Filho, vá até aquele rio e traga este cesto cheio d'água pra mim.

O mocinho lá se foi.  Ao voltar com o cesto vazio embora ainda molhado, o monge lhe perguntou o que ele havia concluído. A resposta:

— Mestre, um cesto de bambu não pode reter a água porque o líquido escapa pelos furos.

— Só isso?, insistiu o monge. Então vá novamente ao rio e traga o cesto com mais água. E lá se foi o jovem.

Ao voltar, o monge lhe perguntou o que ele tinha concluído. A resposta foi a mesma. O monge pediu novamente que ele repetisse a operação. E fez isso várias vezes.Depois de várias idas e vindas, finalmente o discíscípulo concluiu:

– Mestre, agora percebo uma diferença: o cesto está mais limpo do que antes.

Satisfeito, o monge acrescentou:

— Exatamente! O mesmo acontece conosco quando oramos. Muitas vezes esquecemos as palavras. Mas, com certeza, ficamos mais limpos e o nosso espírito é purificado a cada oração.

CONTRIBUIÇÃO DO LEITOR

QUANDO SE CANTA O SERTÃO...!

                                                                  JAIR ELOI DE SOUZA*

Quando é chegada a hora,
Repique sinistro é de sino,
Criança sem batizar-chora,
Morrendo não tem destino.

No Sertão em noite escura,
Vivendo a quadra chuvosa,
Tem choro da mãe-da-lua,
Surra cachorro a caipora.

Fogão de trempe cozinha,
Telhado tem pucumã,
Bueiro espanta a vizinha,
Na serra há aba e chã.

Toda canga tem canzil,
Carga de besta caçuá,
Burra maninha tem cio,
Embora sem procriar.

A xerófila tem espinho,
Casa velha mangangá,
Juriti fazendo ninho,
Esconde-o do carcará.

Peleja é pra cantador,
No cinzento do Nordeste,
Rede de Santo é andor,
Égua poltrã desembesta.

Prisão de pássaro é gaiola,
Peixe se pesca em puçá,
Tapera não tem bitola,
Vereda, fojo é pra preá.

Aba de serra é encosta,
Se faz curva é quebrada,
Lama  em  açude  atola,
Se não chove é rachada.

Assum preto quando chora,
Tem canto em melancolia,
Se canta a sururina perora,
Quão curta é a travessia.

O Sertão de nunca mais,
Já penou com aguaceiro,
Nunca faltou estiagem,
Gado urra é desespero.

Canto de cambonje é seco,
Escuta-se na madrugada,
Rasante de tetéo dá medo,
Carão canta compassado.

Botija é mal-assombrada,
Mulinga tem penitência,
Caipora é endiabrada,
Briga em feira desavença.

Mulata jovem é cabrocha,
Cavalo peco é pangaré,
Cabana de palha é choça,
Faca pequena é quicé.


(*) PROFESSOR DO CURSO DE DIREITO DA UFRN.

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O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO
Jô Soares

O material escolar mais barato
que existe na praça é o
PROFESSOR!

É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia'.

Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um 'caxias'.
Precisa faltar, é um 'turista'.

Conversa com os outros professores, está 'malhando' os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.

Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não sabe se impor.

A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.

Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a 'língua' do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.

O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, deu 'mole'.

É, o professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!

NOTÍCIAS DO JUDICIÁRIO

sábado, 25 de junho de 2011


PÉSSIMA QUALIDADE DOS CURSOS REDUZ PROCURA POR CURSOS DE DIREITO

Os calouros têm perdido interesse pelos cursos de direito e administração, os mais procurados do país, e pelas carreiras de saúde e educação. Por outro lado, cresce a procura por engenharia, produção (como os cursos de tecnologia) e construção (como arquitetura). O cenário foi constatado em estudo da consultoria Hoper Educação, com base em dados oficiais do MEC. A pesquisa aponta que o número de ingressantes em cursos privados de engenharia, produção e construção subiu 33% entre 2007 e 2009. Já a procura por administração e direito caiu 10% e 6%, respectivamente. A área de saúde também recuou (5%), puxada sobretudo por enfermagem e fisioterapia. Os dados são os mais atualizados já disponíveis.

Para o autor do estudo, Romário Davel, há dois motivos para o cenário. O primeiro é o mercado de trabalho. A percepção dos calouros é que já há excesso de profissionais nas áreas em queda, enquanto surgem rotineiramente notícias de falta de engenheiros e de profissionais ligados à infraestrutura. "É uma área em que o jovem pode apostar para os próximos anos, porque a demanda deverá seguir alta." Outro fator, diz Davel, é a ação do MEC, que incentiva a abertura de cursos de engenharia e vem barrando a expansão dos de saúde, além de cortar vagas em direito.



LEI Nº 12.403/11: ERROS E ACERTOS

A presente reflexão se destina apenas a apontar primeiras impressões sobre a Lei n. 12.403, promulgada em 4 de maio de 2011 (publicada no dia seguinte para viger após sessenta dias) que altera dispositivos do Código de Processo Penal "relativos à prisão processual, fiança, liberdade provisória, demais medidas cautelares, e dá outras providências" para contribuir com o debate que já se inicia no meio jurídico.

De início, até porque os métodos histórico e teleológico são indispensáveis a uma boa interpretação de texto legal, cabe registrar que o inegável intuito do legislador foi o de positivar a restrição ao cabimento da prisão cautelar, na esteira do que já vinha propalando o Supremo Tribunal Federal (STF).

E em assim fazendo, acabou o legislador por revitalizar o instituto da fiança e a expressamente municiar o magistrado com a disponibilidade de outras medidas cautelares menos drásticas que deverão ser adotadas com prioridade em relação à prisão.



MUNICÍPIOS DEVEM GARANTIR MATRÍCULAS PERTO DE CASA

O Judiciário pode obrigar o Executivo a matricular crianças em escolas e creches próximas de suas residências ou dos locais de trabalho dos seus pais.

O entendimento é do ministro do STF Celso de Mello, que afastou a cláusula da reserva do possível para efetivar o direito à educação e assim manter a eficácia e integridade da Constituição.

Segundo o ministro, o direito à educação é um dos direitos sociais mais expressivos, que implica em um dever do Poder Público, e dele o Estado só se desincumbirá criando condições objetivas que propiciem, aos titulares desse mesmo direito, o acesso pleno ao sistema educacional, inclusive ao atendimento, em creche e pré-escola, às crianças até cinco anos de idade.



JT NEGA REINTEGRAÇÃO A PROFESSOR QUE ALEGOU TER SIDO DEMITIDO POR PERSEGUIÇÃO

A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho acompanhou o relator, ministro Maurício Godinho Delgado, que não conheceu de seu recurso.

O professor lecionou diversas disciplinas nos cursos de Biologia e Nutrição da Fundação, nos períodos matutino e noturno, entre março de 1997 e outubro de 2002. Em agosto de 2002, alegando atraso e ausência do pagamento de salários, não recolhimento do FGTS e falta de investimento em ensino, o professor e outros integrantes do corpo docente deflagraram greve.

Dispensado dois meses depois, o professor deduziu que sua demissão se deu por perseguição, por ter participado do movimento grevista. Desse modo, postulou na reclamação trabalhista a nulidade da dispensa e a consequente reintegração ao emprego nas mesmas condições contratuais anteriores. A sentença que indeferiu o pedido em primeiro grau foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR), que não entendeu caracterizada a perseguição. Entre outros aspectos, o TRT9 observou que vários professores que também participaram da greve, e inclusive subiram em carro de som, continuaram trabalhando na Fundação.

EQUÍVOCOS CAPTURADOS DA INTERNET


Muitos se confundem com o emprego do A (preposição) e de HÁ (terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo HAVER). Os equívocos são mais recorrentes quando são usados para indicar TEMPO. Mas não é difícil diferenciar um do outro. Se a expressão indicar TEMPO FUTURO, usa-se a preposição A. Exemplo: Vou sair daqui a duas horas. Se a expressão, ao contrário, indicar TEMPO PASSADO, usa-se a forma verbal HÁ. Exemplo: Ele saiu duas horas. O título acima, portanto, estaria corretamente grafado deste modo: SUICÍDIO AGORA POUCO EM SÃO JOSÉ DO SERIDÓ. 

Outra dica, em relação ao uso de HÁ, é que se torna desnecessário o emprego do termo atrás. No último exemplo citado, perceba que ele não faz falta alguma e, além do mais, configuraria um pleonasmo dizer "Ele saiu duas horas atrás". Compreendido?



Já me referi a esse equívoco em postagens anteriores. Uma das alterações introduzidas pela última reforma ortográfica foi a desnecessidade de se acentuarem os ditongos ÓI e ÉI de palavras paroxítonas. Assim, deixaram de ser acentuados termos como FACTOIDE, DEBILOIDE, IDEIA, ASSEMBLEIA etc.

Lembre-se de que, em palavras oxítonas, esses ditongos continuam a ser acentuados, como ocorre nos termos ANZÓIS, CARACÓIS, ANÉIS, PASTÉIS etc.

PREFEITOS DE JARDIM DE PIRANHAS

JOSIDETE MARIA DE ARAÚJO MAIA
(DE 1º/01/1993 A 31/12/1996)


FOTO CEDIDA POR GEOVANNE PEREIRA
JOSÉ HENRIQUE DE ARAÚJO
(DE 1º/01/1997 A 31/12/2000)

JARDIM FOI NOTÍCIA EM 1999

sexta-feira, 24 de junho de 2011


O jornal Diário de Natal, edição do dia 6 de junho de 1999, publicou a seguinte matéria:

Cinegrafista amador registra estranho objeto em Jardim de Piranhas
MISTÉRIO NOS CÉUS DO SERIDÓ

Um objeto estranho no espaço vem chamando a atenção da população da cidade de Jardim de Piranhas, na divisa com o Estado da Paraíba. Ricardo Rilley Cavalcante de Oliveira, 32 anos, residente na rua Pedro Araújo, 123, que teve a sua atenção despertada quando saía de casa, às 20h de sábado, pegou uma máquina filmadora e registrou a cena espacial.

O rapaz, que trabalha com reportagens de casamentos, batizados e outros eventos, passou a comentar com amigos e logo a notícia se espalhou, provocando uma exibição em praça pública na noite de domingo, em um telão. Nessa mesma noite, o fenômeno se repetiu com maior intensidade. “A estrela, a gente vê pequena. Esse objeto dá umas 20 estrelas, a pessoa vendo no céu. As cores só dá para ver na filmadora. Ela era um briho só, como se fosse uma luz fluorescente. Ela estava azul na hora e, com pouco tempo, mudou para vermelho”, comenta o cinegrafista amador.

Ricardo Rilley explica que a peça é tipo um prato em cima e, embaixo, um traço, como se fosse de uma régua. De lado, circular, dando a impressão que estivesse bem próximo à serra de Brejo do Cruz (PB). “Ela durou uns dez minutos. A bateria da filmadora arriou. Quando eu voltei ela não estava mais. Ontem (domingo), eu filmei de novo, só que ela apareceu mais para cima. Aí o pessoal me viu filmando, e como já sabia, veio olhar. Todos viram. O objeto ficou mais aceso e deu para filmar melhor ainda; a filmagem ficou mais legal”. O jovem cinegrafista revela a “coisa diferente”, como sendo um buraco branco, que passou a ficar vermelho, com um círculo verde ao redor do buraco, que fica mudando de cor.

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