CONTRIBUIÇÃO DO DR. JAIR

quarta-feira, 8 de junho de 2011


OS CABRAS  ONCEIROS: A saga do velho Capitão Cazuza Sátiro.



                   JAIR ELOI DE SOUZA*



O Ciclo do Gado nos sertões do Nordeste Brasileiro, foi o lapso temporal mais reflexivo da história da ocupação dos grotões do cinzento. Ressalte-se que neste contexto épico se nutriram heróis anônimos, ícones das populações rurícolas, ribeirinhas, nos mais distantes e pobres grotões do semi-árido brasileiro, dentre os quais se revelaram os bons vaqueiros catingueiros, alguns brancos, outros, a maioria, negros, cafuzos, pardos ou sararás, saídos dos quilombos ou dos caburés, gente de pouca pabulagem e de muito agir. Cangaceiros, cantadores, e os famosos, renomados cabras onceiros, valentes, audazes, destemidos, homens de referência na proteção do rebanho bovino, usando o clavinote com pequenas adaptações e a zagaia, ajudados por cachorros comuns, “viralatas”, porém, adestrados no trato da caçada à onça entocada, quando adentravam nas furnas penhascosas.

 Nesse assunto, não precisei de folhetos cordelistas, histórias de repentistas ou de cegos cantadores nas feiras livres. O velho matuto Eloi de Souza, gente do clã dos Gonçalves da Ribeira meã do  Piranhas, confins do Seridó, com suas narrativas da lavra sertaneja, sendo comboieiro, afeito aos caminhos agrestes do sertão, que nas grandes secas se fazia tangerino “oficial” do coronel Marinheiro Saldanha, quando era responsável pelas “retiradas”, para salvar parte do gado, especialmente quando tomava o rumo das serras paraibanas e  cearenses,  sempre foi minha grande fonte de informação, quanto à vida de cantadores, dos vaqueiros catingueiros e pegas de barbatões, amansadores de poldros, cangaceiros e dos caçadores de onça, tanto  nos sertões potiguares, quanto no cinzento paraibano.

 Na verdade dois agentes predadores sempre fustigaram os rebanhos: em princípio, o índio entocado e faminto, nos últimos redutos, em sovacos de serras, nos épicos anos setecentista e primeira metade dos anos oitocentistas. E por último, com recrudescimento de ataques aos rebanhos bovinos, por toda a segunda meação do século dezenove e as primeiras décadas do século vinte, pela onça preta ou pintada, a suçuarana, parda  ou vermelha.

 Segundo o velho Eloi de Souza, matuto por ofício, que conhecia as travessias e os penhascos carrasquenhos, os peadores e os pontos de arranchação mais seguros dos sertões do Seridó, quando vinha para o Curimataú da terra de Zé Américo e nos sertões paraibanos e cearenses, quando buscava rapadura e farinha no Carirí do “Padim Cíço” Romão, a introdução ou mesmo a substituição do “gado peduro”: orelha curta e arredondada, manteúdo, de pouco leite, dócil e de bom traquejo, pelo mestiço de “indu-brasil”, este de orelha estirada na vertical, malabá, tetas grandes e grossas, os rebentos nasciam moleirões, bezerros graúdos, as vezes e não era raro, não conseguiam mamar. A mãe, após a limpeza do rebento, recolhendo os resíduos da bolsa placentária, “pelejava” o dia inteiro, protegendo o filhote, sem comer nem beber, porém dado momento e ao entardecer, tinha que se ausentar para se alimentar e beber no choradouro mais próximo. Era nessa hora que a onça preta ou pintada,  suçuarana ou parda, atacava a cria desnutrida, primeiro sagrava e com o chegar da noite fosca, carregava no lombo para os seus covis, não raro, utilizando de suas garras alongadas, atravessava quando existentes, cercas de pedras.  Aí, dizia o velho confidente e prosador, é quando entram em cena os cabras onceiros.

Nos sertões potiguares, destaque para Miguelão das Marrecas, na Serra do Doutor, morador de Joaquim Teles, coisas dos confins da Borborema Potiguar, cujo ofício era atender aos fazendeiros do Seridó nascente, e com maior desenvoltura para José Sátiro de Souza, o afamado Capitão Cazuza Sátiro, legenda máxima naquele ofício, nos confins do Seridó oeste e nas serras paraibanas, adjacências das terras potiguares, sendo um habitante da Ribeira do velho Espinharas, na Fazenda tronco, no pé da serra do mesmo nome, dista  cinco léguas da cidade de Serra Negra, já no Município de Pombal, (PB).
                                  
                                   Sobre esse dois ícones da população sertaneja, afamados matadores de onça, Frederico Pernambucano de Melo, na sua obra Guerreiros do sol, em notas e referências, fls. 335 a 336, citando o velho seridoense Juvenal Lamartine, em sua obra “Velhos Costumes do meu Sertão, traz os versos:

O Miguelão das Marrecas
Vei`da serra do Doutor
Chamado por Joaquim Teles
Para ser seu morador,
Porque perseguia onça
Como um herói lutador

E quanto ao capitão Cazuza Sátiro, morto em l911 já pegando os 83 anos de idade, este sentido preito sertanejo:

Em novecentos e quatro
Cazuxa tinha encostado
As armas de matar onça
Estava velho e cansado
Findou doente de asma
Pelo serviço pesado

Morreu o Cazuza Sátiro
O nosso herói do sertão
Grande matador de fera,
Limpo na sua missão,
Merecia uma estátua
Com a zagaia na mão”.   


Dois aspectos merecem destaque, para justificar a presença nos sertões nordestinos dos matadores de felinos. Primeiro, a pecuária era extensiva, criação em campos abertos, isentos de cercas demarcatórias, o gado era “passado” pelos seus donos, nas festas de apartação nos fins das águas, ou criado nas grandes “mangas”, mata fechada e com a presença de penhascos e serras cheias de furnas naturais ou covis, mas, onde havia a presença de ramas ricas em proteína, como o camará, o mororó, a caatingueira e a jurema. E nas terras de baixios, aluvião e  áreas ribeirinhas, destaque para a presença das canafístulas, ingazeiras, juazeiros, e finalmente nos ante-planos, as gramíneas como a milhã, o pé-de-galinha e o velho panasco, de degustação palatável pelo rebanho, quando da estação chuvosa.  Sem prejuízo da presença dos “choradouros” ou “Olhos d´água, onde a manada bebia. O segundo aspecto, conseqüência do primeiro, é que não havia o manejo diário ou semanal das manadas do gado vacum, em razão de que, sempre surgiam “barbatões”, animais rebeldes, outros  se tornavam touros guias, e passavam a comandar e proteger o rebanho ou parte deste, ganhando os grotões quase inacessíveis. Saliente-se que eram sensíveis às incursões dos felinos, quando sentiam ou ouviam os esturros ameaçadores destes, ocasião em que arrebanhavam a manada em vigilância circular, em que pesem a existência de desavenças por liderança, nessas horas, davam prioridade a integridade do rebanho. Porém, algumas reses desavisadas, e não raro acontecia, caiam nas garras dos felinos, com isso, esses carnívoros dotados de uma esperteza e mobilidade aguçadas, passaram a acompanhar os rebanhos e atacá-los de forma devastadora, com preferência por ocasião das grandes secas, com prejuízo para os fazendeiros da época.

Em sendo assim, os criadores sertanejos, além da necessidade da presença do vaqueiro, para a faina diária no traquejo dos animais, passaram a contar com a presença dos valentes caçadores de onça, alguns com exclusividade, na proteção dos seus rebanhos, e a cada felino morto crescia o fetiche das populações rurícolas pelos heróis das zagaias, o prestígio e a fama destes, eram cantadas e decantadas em folhetos nas feiras livres das freguesias, pelos emboladores de cocos e cegos rabequistas.

Poucos escribas em suas crônicas da cena sertaneja, evidenciaram na forma amiudada, como transcorreu a gesta dos cabras onceiros, é bem verdade que estes deixaram rastro de feitos heróicos, façanhas para poucos destemidos, mas é preciso que se entenda epicamente a razão da existência desses heróis anônimos e a forma como se dava a atuação desses, na agresteza dos rincões mais distantes nas terras ínvias do semi-árido nordestino. A faina do traquejo do gado, era tarefa para os vaqueiros, tangerinos, rastreadores, tratadores sedentários, mas, nenhum desses tipos, tinham aptidão, para enfrentar as feras famélicas, nos anos de secas, em seus covis nas entranhas dos penhascos, como faziam oscabras onceiros. Geralmente agiam aqueles em grupos, encourados com gibão, perneiras, peitoris, montados a cavalo ou em burros mulos. Já estes, eram heróis solitários, ganhavam os boqueirões, desfiladeiros e abas de serras, penhascos íngremes, quase inacessíveis. Entre os poucos dos que oficiavam na caça à onça faminta, parte era composta de agregados de médios e grandes criadores, viviam na miséria, recebendo pouco pela faina perigosa, embora fossem sempre ovacionados e decantados pelas populações sertanejas. Mas, quando chegavam à ante-sala da velhice, baixavam as armas, às vezes seqüelados, passavam a viver de favores da família.

velho Eloi de Souza, que se iniciara muito cedo na vida de comboieiro como matuto almocreve, conhecendo os caminhos entrecortados pelas serras paraibanas e cearenses, peadores e pontos de arranchação, quando das idas ao Cariri, e especialmente nas grandes secas de quinze e  dezenove, e cá já nas eras de trinta, exercendo o ofício de tangerino, responsável pelas “retiradas” do Cel. Plínio Dantas Saldanha, o velho Marinheiro, para  a Ribeira do Espinharas a começar das goelas do Teixeira. Conviveu com muitos que conheceram o Capitão Cazuza Sátiro, exímio matador de onça, que dava persiga às reses naqueles sertões bravios. Era um dos poucos aquinhoados, a exemplo dos Pereira Valões, nos sertões de Pernambuco. Pois, possuía uma bela semente de gado, pastando nas encostas da Serra do tronco onde tinha fazenda de mesmo nome. Portanto de entender-se que tinha no ofício de matar onça, a áurea de um guerreiro valente à moda sertaneja, que desdenhava dos riscos sempre presente. Por outro lado, não havia em si, uma matança indiscriminada, a ação exterminadora era direcionada ao felino faminto e agressivo ao rebanho. Ouviu o Velho matuto seridoense da ribanceira do Rio de Piranhas, muitos histórias da gesta do renomado caçador de onça naqueles rincões. Contara que certa vez, tendo sido aquele convocado a “dar cabo” de onça-parda, que dizimava o rebanho na aba de uma das serras do Catolé do Rocha, trecho que não lhe era familiar, mas tinha o adjutório de positivo rastreador da região, depois de vários dias de levantamento dos covis, de trabalho rastreador ao felino marcado para morrer, sem sucesso na empreitada, chega finalmente ao quinto dia e ao penhasco onde estava o animal enfurnado. Sentindo sua presença, a fera dava esturro de intimidação ao estranho que ameaçava seu território, não sabia aquela que estava diante do seu maior e mais temível inimigo, o  velho experiente, Capitão Cazuza Sátiro. Apesar dos esturros ameaçadores, não dava sinais de sair da furna pedregosa. Isso preocupava o velho onceiro,  que de logo tratou de acomodar seus cães, e fazer rápida incursão para desvendar o mistério. Pela fresta de rochedo à carga, próximo a gruta, percebeu tratar-se de fêmea parida, com dois filhotes a amamentá-los. A alma sertaneja valente, do velho e audacioso Cazuza partira-se. É que nunca deixara de ter respeito por mulher prenha ou dando leite a “menino de colo”. Relutante em princípio, era a primeira vez que se encontrava com uma fera e não fazia o “trabalho”, apesar de exposta. Logo tomara a decisão mais travosa de sua vida, justamente ele que sempre teve alma de aço e de luta. Era um colecionador de carcaças dos felinos abatidos, agia quase sozinho na hora “H”, embora tivesse um ajudante de sua confiança e seus cães adestrados, fustigadores de felinos. “Batera em retirada”, a caminho de volta para casa do fazendeiro solicitante. E ao chegar, antes de ser provocado, indagara daquele: Se lhe confiava em venda dois carneiros “iguaiados”, e se podia abatê-los ali mesmo, precisava alimentar uma mãe com filhos pequenos. O contratante não se opôs, mas indagou-lhe, deu cabo da fera? Respondeu o velho onceiro: Minha alma é valente e destemida, mas sepultar crianças, é uma tarefa penosa, venho nos “fins das águas” e faço o serviço, não lhe custa nada.

Ao ouvir o relato desse meu ancestral de “quatro costado”, o velho Eloi de Souza, a minha grande universidade da vida, quanto aos informes dos sertões bravios, como jovem escriba, entendi porque a gesta sertaneja dos cabras onceiros, é magnânima. É que tem suas tipicidades valorativas na saga única de um povo com bravura diferente.


·         É PROFESSOR DO CURSO DE DIREITO DA UFRN.

DISCUTINDO O JUDICIÁRIO

terça-feira, 7 de junho de 2011


O advogado criminalista e professor de Direito da FGV de São Paulo, Celso Sanchez Vilardi, concedeu uma interessante entrevista para o site Consultor Jurídico.
Ao ser questionado sobre o significado da vitória e da derrota para um advogado, Villardi contou que, no início da cerreira, defendeu um sujeito preso sem provas, acusado de estupro seguido de homicídio.
No dia do julgamento, o meliante assumiu ser um estuprador e ladrão contumaz, porém alegou ao advogado que não havia cometido aquele crime e que estava pagando por seus crimes passados. Convencido de sua inocência, Vilardi se esforçou muito na defesa mas perdeu por unanimidade e ficou desgostoso com a injustiça do julgamento, uma vez que seu cliente ficaria preso por algo que não fez. Ao ver a desolação de seu advogado, o cínico deu-lhe um tapinha nas costas e confidenciou que havia mesmo matado a menina.
Vilardi ficou ainda mais arrasado com a possibilidade de ter absolvido um criminoso e foi conversar com o promotor, que lhe chamou à razão ao dizer que o advogado não absolve ninguém. Ele é o defensor do cliente e esse é o seu trabalho, a sua missão. Quem absolve ou condena é o jurado, o juiz.
A história é uma aula de humildade. Muitas vezes o advogado acha que seu brilhante trabalho absolveu o cliente ou se remói de culpa ao pensar que o cliente foi condenado "injustamente", como se o resultado do julgamento sempre dependesse única e exclusivamente de sua atuação. Pura vaidade e pretensão! Na verdade, o advogado deve ser parcial e defender o seu cliente, sem considerar sua própria opinião sobre a culpa do acusado e deixar a tarefa de julgar ao juiz e aos jurados.

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Professor não vai receber horas extras por horário de recreio

À unanimidade, a Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho não conheceu de recurso de revista de um professor de Curitiba (PR) que queria ver considerada como horas extras o tempo de intervalo das aulas (recreio) na Associação Paranaense de Cultura – APC, onde trabalhava. Ele alegava que, nesse período, ficava à disposição do estabelecimento de ensino. 

Em julho de 2007, o professor, que lecionava em dois turnos, apresentou ação trabalhista contra a instituição. Afirmou que, durante esses intervalos, atendia alunos e resolvia problemas administrativos. A escola defendeu-se dizendo que essas atividades não eram obrigatórias, e que não procediam as alegações de que, se não o fizesse, estaria desobedecendo orientação da própria instituição, pois, além de não haver nenhuma punição pelo não atendimento, o professor poderia fazer “o que entendesse melhor” durante o recreio, inclusive sair da escola. 

Sem sucesso na primeira instância, o professor recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR). Em seu recurso, reiterou o pedido de horas extras entendendo ter havido violação ao artigo 4º da CLT, que considera serviço efetivo o período em que o empregado esteja à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, salvo disposição especial expressamente consignada. Todavia, o Regional entendeu ser improvável que os alunos, efetivamente, procurassem atendimento durante todos os dias, em todos os intervalos entre as aulas. E mais, “que o relacionamento profissional entre professor e aluno é da própria dinâmica do ensino e não pode ser visto como algo de extraordinário”. Mais uma vez, o professor não obteve sucesso. 

Levado o caso ao TST, o relator do processo, ministro Carlos Alberto Reis de Paula, manteve a decisão do Regional. Em sessão, ressaltou que a única decisão válida trazida pela defesa enfrentava a questão do intervalo de forma genérica, sob o enfoque de sua suficiência para caracterização do horário intercalado, nada dizendo quanto o seu cômputo de eventual apuração horas extras. Nesse caso, disse, deve ser aplicada a Súmula 296 do TST, que impede o conhecimento de recurso na ausência de divergência jurisprudencial específica. 

RR-2067500-83.2007.5.09.0016 


Fonte: Tribunal Superior do Trabalho

CENAS DE UM JARDIM ANTIGO

FOTO CEDIDA POR GEOVANNE PEREIRA
COMPOSIÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL EM 1968


FOTO CEDIDA POR GEOVANNE PEREIRA
CHURRASCO SOB A PONTE EM 1968


DICA DE PORTUGUÊS: DESLIZES CAPTURADOS DA INTERNET

Regra de acentuação gráfica de que ninguém pode se esquecer: deve-se acentuar toda palavra PROPAROXÍTONA, cuja sílaba tônica (a mais forte) é a antepenúltima. Exemplos: rápido, último, trânsito, e HOMOFÓBICO também!!



No título acima, houve um pequeno equívoco com o emprego do verbo INICIAR, que deveria estar acompanhado do pronome apassivador SE. Da forma como foi grafada, a frase dá a entender que o termo EXPOSIÇÃO é quem está praticando o ato de iniciar, quando, na verdade, está sofrendo os efeitos desse ato. O correto, pois, é dizer que a exposição se inicia.


HISTÓRIA DO CAP - JOGOS DA FASE PROFISSIONAL (CONTINUAÇÃO)

CAP 2 x 1 CORÍNTIANS (CAICÓ/RN)


26|Mar|2000_____________________________________341
CAP 2x1 CORÍNTIANS (CAICÓ|RN)
GOLS: Marquinhos e Zé Ivaldo.
COMPETIÇÃO: Campeonato Estadual.
LOCAL: Est. Josenildo Cavalcanti (J. de Piranhas|RN).
HORÁRIO: 16h.
RENDA: R$ 5.205,00; PÚB. PAGANTE: 1.258.
ARBITRAGEM: Alberto Batista de Carvalho, auxiliado por Milton Otaviano e José Getúlio Moura.
CARTÕES AMARELOS: Veltinho, Poté e Son.
TIME: Maisena, Veltinho, Poté, Romildo e Quinho; Son, Ivanildo, Manuel (Clodoaldo) e Willisvan; Marquinhos e Zé Ivaldo. Técnico: Eloy Simplício.
OBS.: no início do jogo, o juiz não marcou porque não quis um pênalti claro cometido em Willisvan. O CAP abriu o placar aos 15min, com um golaço de Marquinhos, mas o Coríntians empatou logo após, aos 22. A partir daí, o jogo seguiu equilibrado e, quando todos já davam o empate como certo, Marquinhos levou a melhor sobre o excelente lateral corintiano e cruzou para Zé Ivaldo, que se antecipou ao zagueiro e marcou o gol da vitória aos 43min do 2o tempo. 130 policiais estiveram fazendo a segurança. Após a partida, a torcida do CAP saiu em passeata pelas ruas e continuou comemorando até altas horas da noite.

2|Abr|2000______________________________________342

PAUFERRENSE (PAU DOS FERROS|RN) 0x1 CAP

GOL: Jackson.
COMPETIÇÃO: Campeonato Estadual.
LOCAL: Est. 9 de Janeiro (Pau dos Ferros|RN).
HORÁRIO: 15h30min.
RENDA: R$ 1.655,00; PÚBLICO PAGANTE: 356.
ARBITRAGEM: Antônio Cipriano, auxiliado por Aldemir Faustino e Sílvio Sérgio.
CARTÕES AMARELOS: Ivanildo, Quinho e Son.
TIME: Maisena, Rogério Souza, Poté, Romildo e Quinho; Son, Ivanildo, Manuel (Jackson) e Willisvan; Zé Ivaldo e Marquinhos. Técnico: Eloy Simplício.
OBS.: jogo muito fraco tecnicamente. A Pauferrense teve mais posse de bola durante todo o jogo, mas não ameaçou muito o goleiro Maisena. O CAP cadenciou o jogo e teve chances de marcar com Willisvan no 1o tempo e com Zé Ivaldo no 2o. A exemplo do jogo anterior, o gol da vitória saiu aos 43min da etapa final, numa jogada pela esquerda com Marquinhos. Má atuação do árbitro, que deixou de marcar dois pênaltis para o CAP.

9|Abr|2000______________________________________343

POTIGUAR (MOSSORÓ|RN) 2x1 CAP

GOL: Zé Ivaldo.
COMPETIÇÃO: Campeonato Estadual.
LOCAL: Est. L. Nogueira – Nogueirão (Mossoró|RN).
HORÁRIO: 17h.
PÚBLICO PAGANTE: 1.700.
ARBITRAGEM: Paulo Jorge Rodrigues, auxiliado por Antônio Cipriano e José Emídio.
CARTÕES AMARELOS: Romildo, Poté, Rogério Souza e Jackson.
TIME: Maisena, Rogério Souza (Adriano), Poté, Romildo e Quinho; Veltinho, Ivanildo, Manuel (Jackson) e Willisvan; Zé Ivaldo e Marquinhos. Técnico: Eloy Simplício.
OBS.: precisando de um empate para passar à 2a fase do turno, o CAP jogou o tempo todo na defesa e, como era de se esperar, não agüentou a pressão do time da casa. O Potiguar se lançou ao ataque e abriu o marcador aos 23min de jogo numa falha clamorosa de Maisena e, logo em seguida, meteu uma bola na trave. Com Marquinhos recebendo poucas bolas, o CAP só foi empatar no finalzinho do 1o tempo. Na etapa final, tudo se repetiu: o Potiguar pressionava (meteu outras duas bolas na trave) e o CAP se defendia como podia. Aos 34min, para delírio da torcida local, que encheu o Nogueirão, saiu o gol da vitória numa cobrança de falta. Péssimas atuações de Rogério Souza e Veltinho. Apesar de falhar no 1o gol do Potiguar, Maisena salvou o CAP de levar uma goleada.

16|Abr|2000_____________________________________344

NACIONAL (PATOS|PB) 3x2 CAP

GOLS: Quinho e Willisvan.
COMPETIÇÃO: amistoso.
LOCAL: Est. Mun. José Cavalcante (Patos|PB).
HORÁRIO: 17h.
ARBITRAGEM: Miguel Félix, auxiliado por Mário Júnior e Eduardo Azevedo.
TIME: Maisena (Cimar), Rogério Souza, Poté, Edvaldo (Pádua) e Quinho; Son, Ivanildo, Veltinho (Clodoaldo) e Willisvan; Jackson (Marquinhos) e Zé Ivaldo. Técnico: Eloy Simplício.
OBS.: o Nacional abriu o placar no primeiro minuto de jogo, através de um pênalti cometido por Edvaldo. A partir daí o CAP equilibrou a partida e empatou aos 15min, numa cobrança de falta de Quinho, e ainda meteu duas bolas na trave. Só que o time da casa jogou com mais disposição (estava estreando dois reforços) e desempatou ainda no 1o tempo e fez 3 a 1 aos 17min da etapa final. Willisvan, aos 34, fechou o placar. O time, mais uma vez, não jogou bem.

20|Abr|2000_____________________________________345
CAP 2x0 NACIONAL (PATOS|PB)
GOLS: Marquinhos e Quinho.
COMPETIÇÃO: amistoso.
LOCAL: Est. Josenildo Cavalcante (J. de Piranhas|RN).
HORÁRIO: 20h50min.
ARBITRAGEM: Júnior Germano, auxiliado por Bebinho e Edinho.
TIME: Maisena (Cimar), Veltinho (Cemir), Pádua (Edvaldo), Romildo e Quinho; Rogério Souza, Ivanildo, Clodoaldo e Willisvan (Bebé); Jackson e Marquinhos. Técnico: Eloy Simplício.
OBS.: desfalcado de três titulares (Son, Manuel e Zé Ivaldo), o CAP começou bem, desperdiçando três chances claras de marcar (Willisvan meteu uma bola na trave). Depois a partida tornou-se sonolenta, o que acabou refletindo-se no placar sem gols do 1o tempo. O CAP começou o 2o tempo como no 1o e logo marcou seus gols, aos 5 e aos 7min. Depois o time acomodou-se e limitou-se a jogar no contra-ataque com Marquinhos, que, muito bem marcado, pouco fez. O fraco time do Nacional em nenhum momento ameaçou a vitória do CAP.

30|Abr|2000_____________________________________346

BARAÚNAS (MOSSORÓ|RN) 1x0 CAP

COMPETIÇÃO: Campeonato Estadual.
LOCAL: Estádio L. Nogueira – Nogueirão (Mossoró|RN).
HORÁRIO: 17h.
RENDA: R$ 1.717,00; PÚB. PAGANTE: 393.
ARBITRAGEM: Alberto Batista de Carvalho.
CARTÕES AMARELOS: Flávio Dantas e Ivanildo.
TIME: Maisena, Rogério Souza, Veltinho, Edvaldo e Quinho; Son (Clodoaldo), Ivanildo, Manuel (Jackson) e Flávio Dantas (Bebé); Marquinhos e Zé Ivaldo. Técnico: Eloy Simplício.
OBS.: os dois times jogaram muito mal, talvez por culpa da forte chuva que caiu durante o jogo e do gramado bastante alto. No 1º tempo, o CAP perdeu boas chances de marcar com Marquinhos e Zé Ivaldo (segundo a imprensa mossoroense, o juiz deixou de marcar um pênalti a favor do CAP). Na etapa final, o Baraúnas sufocou o CAP até marcar seu gol, aos 16min. A partir daí, o CAP saiu da defesa e se lançou ao ataque, o que permitiu ao Baraúnas, que passara 17 dias parado, perder outras chances de marcar. No finalzinho, Marquinhos chutou para fora a chance de empatar a partida. Depois do jogo, soube-se que Cícero Ramalho saíra de um bar direto para o estádio.

CAP 4 x 3 CORÍNTIANS (CAICÓ/RN)


7|Mai|2000______________________________________347
CAP 4x3 CORÍNTIANS (CAICÓ|RN)
GOLS: Quinho, Zé Ivaldo (pên.) e Marquinhos(2).
COMPETIÇÃO: Campeonato Estadual.
LOCAL: Est. Josenildo Cavalcanti (J. de Piranhas|RN).
HORÁRIO: 16h.
ARBITRAGEM: Antônio Cipriano, auxiliado por José Nilman e José Walter dos Santos.
CARTÕES AMARELOS: Veltinho, Romildo, Flávio Dantas, Jackson e Pádua.
CARTÕES VERMELHOS: Veltinho e Solimar.
TIME: Maisena, Veltinho, Edvaldo, Romildo e Quinho; Son, Rogério Souza (Flávio Dantas, depois Jackson), Solimar e Manuel; Marquinhos (Pádua) e Zé Ivaldo. Técnico: Zé do Carmo.
OBS.: o Coríntians começou arrasador e fez 2 a 0 aos 7 e aos 11min do 1º tempo. O CAP diminuiu aos 24, numa bela cobrança de falta de Quinho. Só que aos 30, após uma falha bisonha de Son, o Coríntians aumentou para 3 a 1 e ainda meteu uma bola na trave aos 45. Logo no início do 2º tempo, Marquinhos foi derrubado na área aos 59 segundos. Pênalti marcado e convertido por Zé Ivaldo aos 3’.  A partir daí, o CAP se lançou ao ataque e Marquinhos empatou aos 18’ e virou aos 38’ (um minuto antes, o mesmo Marquinhos metera uma bola na trave). Jogo bastante tumultuado, com a arbitragem (mais rigorosa com o CAP) distribuindo 9 cartões amarelos e 3 vermelhos. Se Maisena falhou feio no 2º gol corintiano, Manuel e Marquinhos (este, principalmente) fizeram apresentações perfeitas. Um jogo para ficar na História.

14|Mai|2000_____________________________________348

PAUFERRENSE (PAU DOS FERROS|RN) 1x1 CAP

GOL: Marquinhos.
COMPETIÇÃO: Campeonato Estadual.
LOCAL: Est. 9 de Janeiro (Pau dos Ferros|RN).
HORÁRIO: 15h30min.
RENDA: R$ 1.302,50; PÚB. PAGANTE: 314.
ARBITRAGEM: João Batista da Silva.
CARTÕES AMARELOS: Quinho, Marquinhos, Cláudio, Maisena e Manuel.
TIME: Maisena, Pádua, Edvaldo, Romildo e Quinho; Son, Ivanildo, Manoel (Jackson) e Willisvan (Cláudio); Zé Ivaldo e Marquinhos. Técnico: Zé do Carmo.
OBS.: as duas equipes não jogaram bem no 1º tempo. No 2o, o CAP abriu o marcador aos 14min e passou a jogar no contra-ataque, desperdiçando algumas chances de ampliar a vantagem. O castigo veio com o gol de empate, marcado aos 47’. Boa atuação da arbitragem, que anulou um gol do CAP e outro da Pauferrense, que ainda meteu duas bolas na trave (uma em cada tempo). O CAP manteve a escrita de nunca ter perdido em Pau dos Ferros.

28|Mai|2000_____________________________________349
CAP 1x1 PAUFERRENSE (PAU DOS FERROS|RN)
GOL: Zé Ivaldo.
COMPETIÇÃO: Campeonato Estadual.
LOCAL: Est. Josenildo Cavalcanti (J. de Piranhas|RN).
HORÁRIO: 16h.
ARBITRAGEM: João Batista, auxiliado por José Neuman e Getúlio Moura.
CARTÕES AMARELOS: Edvaldo e Manuel.
TIME: Maisena, Chiquinho, Edvaldo (Jackson), Romildo e Jectom; Son (Veltinho), Solimar, Manuel e Willisvan (Rogério Souza); Zé Ivaldo e Marquinhos. Técnico: Zé do Carmo.
OBS.: o CAP começou a partida dando a impressão de que iria golear. Aos 6min, Romildo cabeceou uma bola na trave. Aos 10, Zé Ivaldo abriu o placar após receber um passe primoroso de Marquinhos. A partir daí, contudo, o time começou a desperdiçar várias oportunidades de gol e começou a ceder espaço à Pauferrense, que empatou a partida logo no início do 2º tempo, aos 5min. Quase todos os jogadores jogaram muito mal, inclusive Marquinhos e Manuel. Com mais esse empate, o CAP se distanciou da classificação à segunda fase do 2º turno e completou três jogos em casa sem conseguir vencer a Pauferrense.

3|Jun|2000______________________________________350
CAP 2x0 BARAÚNAS (MOSSORÓ|RN)
GOLS: Jackson e Marquinhos.
COMPETIÇÃO: Campeonato Estadual.
LOCAL: Est. Josenildo Cavalcanti (J. de Piranhas|RN).
HORÁRIO: 16h.
ARBITRAGEM: João Batista da Silva, auxiliado por Getúlio Moura e Iran Matias.
CARTÕES AMARELOS: Solimar.
TIME: Maisena, Chiquinho, Cláudio, Romildo e Quinho; Rogério Souza (Manuel), Veltinho, Solimar (Jackson) e Willisvan; Zé Ivaldo e Marquinhos (Bebé). Técnico: Zé do Carmo.
OBS.: a um minuto de jogo, Zé Ivaldo perdeu um gol feito, o primeiro de uma série que viria a desperdiçar durante a partida. O CAP novamente jogou muito mal, errando passes no meio-campo e desperdiçando chances de marcar. Só no segundo tempo, após a substituição de Solimar (o pior em campo), é que o gol finalmente saiu: Jackson, que entrara em seu lugar, marcou de cabeça aos 23min e Marquinhos ampliou aos 36, numa jogada confusa em que ele entrou com bola e tudo. O limitado time do Baraúnas pouco incomodou Maisena, que não fez uma defesa difícil. Bem na partida apenas o árbitro, que falhou uma única vez, ao deixar de marcar um pênalti claro para o CAP aos 10min do 1º tempo.

A GREVE DOS PROFESSORES JARDINENSES

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Soube há pouco que a reunião entre os professores jardinenses e o prefeito, mais uma vez, não chegou a se realizar. Muitos esperavam que o impasse hoje chegasse ao fim e as aulas já recomeçassem amanhã. Infelizmente, nossas crianças e adolescentes continuarão em casa, na rua ou fazendo sabe-se lá o quê. As escolas, fechadas, não poderão cumprir seu importantíssimo papel. Os professores, chateados, aumentarão o nível de estresse e de indignação. E a Administração Municipal, inerte, perderá mais uma chance de demonstrar sua real preocupação com a melhoria de um setor historicamente abandonado pelo poder público.

Fiquei aqui a pensar com meus botões, tentando imaginar quão terrível pecado cometeram os educadores locais, no passado ou no presente. Somente uma praga divina poderia explicar décadas e décadas de humilhações, menosprezo e falsas promessas. Estariam os professores expiando suas falhas, sendo, ontem ou hoje, constantemente enganados? Que fizeram eles de tão grave que justificasse tão humilhante tratamento? Por que nunca se resolvem os problemas do setor, que são os mesmos desde os anos de 1970? Por que jamais se olhou para nossas escolas com o devido valor que elas possuem? Por que a educação local sempre foi tratada como cabide de empregos?

Por quê? Por quê? Por quê?

DESAFIO DA VEZ

Este será moleza para vocês! Apontem e expliquem o(s) equívoco(s) cometido(s).

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Nós dá um jeitinho




DAD SQUARISI // dadsquarisi.df@@dabr.com.br

A maior tragédia do Brasil? É o jeitinho. Sem regras claras, fica-se numa zona pantanosa. O sim não significa sim. O não tampouco quer dizer não. Tudo depende. Depende do crachá, do QI (quem indica), da conta bancária, da rede de amigos. Às vezes, do tempo. Outras vezes, do humor. Daí termos mais de 50 formas de responder à pergunta "como vai?" É um tal de vou indo, navegando, levando, como Deus quer, como o vento sopra, empurrando com a barriga. Etc. Etc. Etc. O jeitinho faz milagres.

Apaga fatos históricos. Graças a ele, o impeachment do Collor virou detalhe, indigno de figurar na história do Senado. Depois da grita — dos caras-pintadas aos historiadores —, o mais importante acontecimento da democracia contemporânea desta alegre Pindorama reconquistou a relevância. Ganhou espaço no túnel do tempo da Câmara Alta.

O jeitinho confunde ciências e muda conceitos. Erro não é mais erro. É preconceito linguístico. Escrever "os livro" ou "nós pega o peixe" figura em livro didático com o mesmo status de "os livros" e "nós pegamos o peixe". Apesar dos esperneios de pais, estudantes, professores, empresários, políticos & gente como a gente, o ministro da Educação bate pé. Jura que os indignados estão indignados porque não leram o livro.

Há os que leram e os que não leram a obra. Uns e outros sabem que o buraco é mais embaixo. O ser bonzinho esconde baita discriminação. Acredita que o aluno da escola pública nunca vai chegar lá. Se aprender ou deixar de aprender a gramática normativa, não faz diferença. Ele não passará das tamancas. Não é por acaso que impera nas instituições públicas o jogo do faz de conta. O professor finge que ensina. O aluno finge que aprende. O Estado se finge de cego.

O teatro não se restringe ao português. Abrange matemática, história, geografia, ciências. Mas é mais notável na língua pátria. Sem a habilidade da leitura, o estudante não entende enunciados. Prejudica-se em todas as disciplinas. Sem a habilidade da escrita, não pode exprimir-se. Se sabe a resposta da questão, não consegue escrevê-la. Assim, cada macaco mantém-se no seu galho. Em resumo: o ensinar que "nós pega" está correto foi a gota d´água. Os que leram e os que não leram o livro sofrem na carne, no coração e no bolso o resultado do preconceito.

CENAS DE UM JARDIM ANTIGO

FOTO CEDIDA POR GEOVANNE PEREIRA
CARNAVAL EM 1965


FOTO CEDIDA POR GEOVANNE PEREIRA
TURMA DE D. MARGARIDA EM 1968

CONTRIBUIÇÃO DO LEITOR

O OUTONO DO PATRIARCA QUE NÃO ESQUECI!


UMA ODE A JOSÉ MENANDRO DA CRUZ





Não conheci a sua primavera, mas o seu cênico histórico sim, pois vi seu retrato e  o instrumento compondo a banda centenária de Pombal sua terra natal, onde oficiava com solfejos harmônicos, nos longínquos anos de l.909. Imagino ter sido uma primavera em que as cerejas tenham esbaldado suas cores. As bromélias sertanejas tenham no seu viço floral encantado o personagem. Sei que não soçobrou no verão dos trópicos, nas adversidades do cinzento da gesta sertaneja. Por isso que o conheci em plena maturação, na estação outonal, na  Jardim do Piranhas.

Os ídolos e os ícones, penso eu, nascem, agigantam-se, esbanjam proezas, mas não se nutrem na forma perene sem seus admiradores épicos, cultores da memória, guardiãs dos seus álibis, assim se faz viva a história e nunca o ócio do esquecimento aparece. Em razão disso, mesmo sabendo que enfrentaria a fuligem do tempo, impregnada na tenda da vida, resolvi fazer da vacância de sua vida entre nós, O OUTONO DO PATRIARCA, QUE NÃO ESQUECCÍ! Uma ode a Zé Menandro.

Como esquecer Zé Menandro? O enfermeiro, quase médico, músico, filósofo, o poliglota do templário cristão. O revolucionário tangido pela persiga dos reacionários do poder, o arauto da rima erudita de Augusto dos Anjos, o poeta de improviso, que rimava na saudade de sua terra natal, na ribanceira do Rio Piranhas, que um dia lhe viu descer e hoje o vê passado. Deu-se o estalo, manhã ensolarada, maio abrasador, mas havia a sombra acolhedora de uma cajaraneira ainda jovem, em frente à casa do meu anfitrião. E lá estava eu diante do poeta Chico de Telmo, coveiro aposentado, neto do lendário Zé Menandro, pois, sua mãe, era um dos rebentos deste, a exímia professora Maria Cruz, irmã de outras três do mesmo ofício: Maria Dalva, zulêica e a caçula Neuma, espécie de noviça rebelde. O encontro era ímpar, o mote era a rima entremeada da prosa. Domingo treze de maio, homenagem às mães. Tinha eu descido a Borborema potiguar, pois, dormira na minha pequena Chã da Graúna, noite clara, com lua de bolandeira, saudada na forma compassada pelo canto solitário da cauã, vindo do caatingote do alto do capim, terras da vizinha maravilha. Saudoso do meu velho Seridó, tinha em mente travar contato com o personagem referido, o velho coveiro Chico de Telmo, pois, além de ser do clã do velho Zé Menandro, é um  poeta de improviso e de fino trato.

Dissera que seu avô, embora rurícola no Município de Pombal, tinha desde moço o ofício de enfermeiro. Atendia bem aos que lhe procurava, em razão de que começa a sofrer agruras e perseguição, coisas na revolução dos lenços vermelhos, intentona comunista, das eras de l935, de quem  julgaram ser adepto. Diria eu, apenas um simpatizante, pois, era muito cristão, só que esse tênue meneio por Luiz Carlos Prestes, lhe custou o confinamento na distante São Bento da Paraíba, onde se abraçam o Espinharas e o velho Piranhas. Trazido numa acomodação entre os jovens caciques políticos de Pombal, Dr. Rui Carneiro e Dr. Queroga, onde continuou a exercer o ofício de enfermeiro, silenciando o seu clarinete, pois, a banda estava distante, um inferno de Dante, para quem vivia também dos solfejos da harmônica, e passara a ser um sabiá laranjeira, de mudez inconcebida, sem ter pra quem trinar.

Pouco tempo depois, o velho Marinheiro Saldanha que já o conhecia, lhe faz uma visita em São Bento da Paraíba, e o convida para montar residência em Jardim de Piranhas. Tinha conhecimento de seu ofício curioso no campo da enfermagem, e de grande conhecedor da omeopatia e da farmácia básica, quando chegava a prescrever sem chancela, remédios para pobres, e fazer pequenas cirurgias, “encanar” perna e braço quebrados, dentro da aptidão e experiência vivida na sua Pombal.

A Banda centenária de Pombal perdera um grande músico, mas Jardim de Piranhas ganhara um médico cirurgião, e também um poeta de fino trato. Quando embriagado na saudade de sua terra, rimava com teimosia. Deixara “forçado” sua pequena gleba no abandono, a casa e o amor telúrico pelo torrão natal, e se fazia na poesia, declamando versos na métrica que se segue:

“Eu cheguei um certo dia,         
A uma da madrugada,                                
Vi uma casa abandonada,      
Que o seu dono conheci.         
Que nem a morte assisti,
Porque a morte o venceu,
Aquilo então me doeu,
Porque eu sou muito ativo,
Sinto por quem esta vivo,
Quanto mais por quem morreu,

Casinha velha o teu dono,
Com tanto prazer te fez,
quem sabe, quem sabe o mês,
Qu’ele junto aqui viveu,
Depois desapareceu,
E tu não sentiste bem,
Te entregaste também,
Ao quadro do desengano,
Que na passagem dos anos,
Foste morada de alguém.

Já foste bem visitada,
Fostes zelada e varrida,
Já foste tudo na vida,
Em vida tornastes em nada,
Já foste como uma escada,
Mas perdeu os seus degraus,
Que  os próprios bacuraus,
Que pousavam em seu terreiro,
Hoje fogem Bem ligeiros,
Assombrando-se com seus maus

Quem limpa te conheceu,
Talvez diga te olhando,
Quem sabe, quem sabe quando,
A Vassoura de varreu,
Os paredões que prendeu,
Demonstrando o teu império,
Esse seu silêncio sério,
Imita também o seu dono,
Porque um eterno sono,
Dorme lá no cemitério.

Já fostes um reino encantado,
Já fostes do reino o trono,
Já ouviu a voz de seu dono,
Com a canção do passado.
Depois um golpe malvado,
Terminar seu dono veio,
Que esperto não se  fez,
E as suas paredes sujas!
Que até as próprias corujas,
Fogem de te com receio.


Essa rima é de autoria de um compatrício seu, e ele a declamava quando lembrava sua antiga morada sitiante que deixara para trás na velha Pombal. Contara Chico de Telmo, que ao chegar certo dia em sua sala de anotações históricas, pequena escrivania, com cadeira rústica, dissera àquele: “Padrinho velho, me dê esse livrinho pra eu ler, no que lhe retrucou o velho patriarca: Óla meu filho!, esse livro tem dois vês, mas quando devolvê-lo, quero a “Casa abandonada pronta”. E assim aconteceu, o velho coveiro e poeta Chico de Telmo, decorara essa relíquia versada.

Poliglota, arranhava o francês, onde era soberbo nas obras de Victor Hugo, mas sua praia preferida era mesmo o Latim. Amante das escrituras sagradas, preferia sempre a leitura do texto bíblico em latim. Por ser de bom alvitre ressaltar fato interessante. No início dos anos sessenta, aportara na Paróquia de Jardim de Piranhas, um padre novo, de nome Antônio Balbino, muito chegado a juventude, com certo verniz da Teologia da Libertação, e incentivador da fundação do sindicato rural, que por sinal e salvo melhor juízo, saíra do apostolado, seu primeiro presidente, Luiz Dutra, substituíra aquele, ao indomável Padre. Galvão. O velho Zé Mendandro era um coadjuvante na celebração da missão dominical, que era oficiada em latim. Certa vez, em momento vesperal à celebração, havia um converseiro desmedido, que entendia o velho octogenário ser verdadeiro desrespeito ao templo de Deus, em razão disso e na forma enérgica que lhe era peculiar quando contrariado, pediu silêncio aos presentes. Nesse ínterim, estava na sacristia o celebrante se paramentando, e resolvera amenizar o pequeno destempero, quando subira ao altar  e disse em latim, “Doença de velho, é a velhice”. O velho Zé manandro, não lhe passara recibo de chofre, mas, ao término da celebração, ao se recolher Antônio Balbino à sacristia, seguido daquele, foi surpreendido. “Ola Balbino! Você afirmou na língua mãe que doença de velho é velhice, no que concordo e entendo ser verdade. Mas, não me tira o direito de lhe dizer: que o templo de Deus merece respeito”. Até então, Padre Balbino não sabia que o velho ancião era cultor do latim, e que seu conhecimento não se restringia ao básico missal.

O velho patriarca também exerceu seu ofício de enfermeiro em Caicó, onde recentemente fora homenageado com nome de unidade de saúde naquele Município, vindo a falecer octogenário em nossa Jardim..

Em luta setembrina de 2007.

É professor do Curso de Direito da UFRN.

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